Trazia apenas um olhar. Trazia apenas aquele brilho. E, colado a ele, um enorme vazio. Trazia nas algibeiras memórias, que o tempo amarelecera. E com as quais tentava desenrolar um fio de utilidade. Trazia nas mãos os momentos efémeros a que se obrigava. Aqueles a que sociedade exige. Debaixo do braço o livro. Ou seriam vários? Eram aqueles... Aqueles onde tudo cabia e da dimensão possível. E na qual há já muito deixara de acreditar. Trazia nos gestos [aqueles que nunca ninguém escutou] uma vida inteira. Mas, claro. Dali vinha sempre o ar tranquilo e meio inocente...
Lembram-se do momento em que desistiu? Quando encerrou tudo quanto continha numa caixa e a devolveu ao remetente? Não?... Bem sei... bem sei: não estavam lá. E quando pintou novos brilhos no olhar? Lembram-se dos novos tons que ganhou? Não? Sim... sei: também não estavam lá. E notaram? Como partia com a alegria de uma criança no olhar? Como voltava de olhar vazio e o peso do mundo nos ombros? Não... pois. Também não estavam lá. Alguma vez pararam para escutar a resposta que dava àquela pergunta, que costuma fazer parar o Universo, para logo em seguida se sentirem com os olhos embargados de lágrimas e a vontade imensa de a poderem alterar? Imagino a resposta: nunca se lembraram disso. Digam-me: Quantas vezes? Quantas vezes tiveram de esperar que aquele outro mundo lhe desse um pouco de paz? Nenhuma. Sei. Porque nem chegou a ter tamanho para existir nesse vosso mundo, enormíssimo, em que vivem.
Lembram-se? Da intensidade com que chorei, naquele banco de um verde de madeira velha, de tão imenso era o medo que sentia? Lembram-se do olhar idiota do porteiro ao ver-me chorar e de todas as [mil] vezes me informar que tinha de esperar mais um pouco? Lembram-se da imensa vontade que tive de a abraçar e de lhe contar a falta que faz, quando, finalmente, me foi possível aproximar-me? Lembram-se do quanto o meu olhar gritava isso por, como sabem, não ter esse direito? Vocês certamente teriam... Mas, também não estavam lá.
Quantas vezes? Quantas vezes lhe contaram o quão importante ela é para todos aqueles que a rodeiam? Sei... Imagino que sejam demasiado importantes para isso.
E permitam-me... permitam-me perguntar pela última vez: quantas vezes lhe pediram que ficasse? E... que, por favor, não se largasse?... Sei... imagino que, também, não tenham tempo para isso...
Lembram-se do momento em que desistiu? Quando encerrou tudo quanto continha numa caixa e a devolveu ao remetente? Não?... Bem sei... bem sei: não estavam lá. E quando pintou novos brilhos no olhar? Lembram-se dos novos tons que ganhou? Não? Sim... sei: também não estavam lá. E notaram? Como partia com a alegria de uma criança no olhar? Como voltava de olhar vazio e o peso do mundo nos ombros? Não... pois. Também não estavam lá. Alguma vez pararam para escutar a resposta que dava àquela pergunta, que costuma fazer parar o Universo, para logo em seguida se sentirem com os olhos embargados de lágrimas e a vontade imensa de a poderem alterar? Imagino a resposta: nunca se lembraram disso. Digam-me: Quantas vezes? Quantas vezes tiveram de esperar que aquele outro mundo lhe desse um pouco de paz? Nenhuma. Sei. Porque nem chegou a ter tamanho para existir nesse vosso mundo, enormíssimo, em que vivem.
Lembram-se? Da intensidade com que chorei, naquele banco de um verde de madeira velha, de tão imenso era o medo que sentia? Lembram-se do olhar idiota do porteiro ao ver-me chorar e de todas as [mil] vezes me informar que tinha de esperar mais um pouco? Lembram-se da imensa vontade que tive de a abraçar e de lhe contar a falta que faz, quando, finalmente, me foi possível aproximar-me? Lembram-se do quanto o meu olhar gritava isso por, como sabem, não ter esse direito? Vocês certamente teriam... Mas, também não estavam lá.
Quantas vezes? Quantas vezes lhe contaram o quão importante ela é para todos aqueles que a rodeiam? Sei... Imagino que sejam demasiado importantes para isso.
E permitam-me... permitam-me perguntar pela última vez: quantas vezes lhe pediram que ficasse? E... que, por favor, não se largasse?... Sei... imagino que, também, não tenham tempo para isso...



